Árvore de temas: como organizar sua escrita online

Atualizado: Fev 9

Dicas valiosas para quem quer organizar seu conteúdo de modo simples e eficiente.





Quando tudo é possível, saber por onde começar não é fácil.


A pior maneira de iniciar um projeto de escrita para a web é abrindo o editor de texto de um blog, ou de rede social, e escrever o que vier na cabeça. A escrita digital não é um processo autorrealizável. Sem preparo e pesquisa o autor fica refém da inspiração e acredite, ela vai deixar você na mão quase sempre.


O planejamento é uma faca de gumes. Ele permite que o autor respire e crie sem atropelos, mas algumas vez pode se tornar, ele mesmo, um fetiche desnecessário.


É bom lembrar que ideias não são equações. É preciso deixar espaço para o improviso e confiar em certa medida no acaso. Mas sem organização o seu trabalho será incrivelmente cansativo e possivelmente se perderá no ruído digital cada vez mais constante. Organizar interesses é uma forma de reduzir esse ruído desde a fase inicial da escrita até a publicação.


O planejamento deve começar dentro de sua linha de interesse. Se o seu projeto fosse uma revista, ela seria Marie Claire ou Quatro Rodas? Um suplemento literário ou uma publicação de receitas culinárias? Pensar nos seu setor de interesses é o primeiro passo para transformar suas ideias numa mini redação particular.

Geralmente divido meus interesses em três perspectivas que chamo de Árvore de Interesses:

  • Assuntos nos quais sou especialista (autoridade).

  • Assuntos sobre os quais conheço bem (conhecimento).

  • Assuntos que me despertam curiosidade infinita (interesse).

Parece tudo a mesma coisa, mas não é. Posso ser uma autoridade em gatos, ter muita informação sobre o tema, mas posso ainda ter outros conhecimentos sobre cães e ter muita curiosidade sobre aves. Dividir em 3 setores ajuda a selecionar o que é realmente importante.


A autoridade é o que alicerça o seu trabalho, aquilo no qual você é bom e já tem algum reconhecimento por isso. O conhecimento é o desdobramento desse setor, é aquilo que leva o seu assunto para além de sua bolha. Já o interesse são os caminhos que diferem um pouco desse esquema, temas que você não domina tão bem, mas possui disposição e curiosidade para aprender.


Vamos por partes:


Assuntos nos quais você é especialista


Geralmente são temas ligados à nossa rotina, trabalho, hobbies, família, bairro ou vocação pessoal. Não confundir com a regra perigosa do “monetize suas paixões”. Falaremos disso depois. Costumo não selecionar mais que dois temas nos quais tenho alguma autoridade.


Assuntos sobre os quais você conhece bem


São aqueles que fazem parte do seu universo de interesses, temas que talvez você tenha se dedicado no passado, ou esteja interessado em ampliar no futuro. A principal diferença em relação aos temas nos quais você é especialista é que aqui você não possui ainda alguma autoridade, mas sobra conhecimento.


Assuntos que me despertam curiosidade infinita


São os temas “ponto fora da curva”, assuntos que fazem você ler grandes livros ou passar horas pesquisando sobre eles na internet. É o terreno fascinante e um tanto obscuro no qual você ainda não se arrisca a entrar, mas tem vontade. O que vale aqui é o interesse.


Vamos a um exemplo baseado numa consultoria real:


Ana é professora e apaixonada por plantas. Vem de uma família com forte ligação com o meio natural, tendo sido criada no campo. Mas uma oportunidade de trabalho a levou para a cidade grande. Ana então resolve iniciar um perfil em rede social para compartilhar suas dicas de plantas para apartamentos, além de falar sobre decoração para espaços pequenos e vida saudável.

O caso de Ana nos mostra o seguinte modelo de Árvore de Interesses:

  • Autoridade: plantas, botânica.

  • Conhecimento: plantas para apartamentos, decoração.

  • Interesse: vida saudável.

Vejamos 2 cenários para o projeto de Ana:


Cenário 1

Ana inicia seu perfil em rede social (possivelmente Instagram) com fotografias de sua coleção de plantas e dicas para mantê-las sempre verdinhas. Ela ilustrar as fotos com textos explicativos mais longos. Cria ainda um blog para artigos maiores, que não cabem no Instagram, com a origem das plantas, sazonalidade e melhores locais para compra. Ela sente ainda a necessidade de uma newsletter, unindo o conteúdo do blog com o perfil da rede social para avisar os leitores de novos assuntos.


O que está certo:

Ana percebe que cada tipo de conteúdo precisa de um canal especifico. Ana cria sua Árvore de Interesses com dois assuntos relacionados diretamente (botânica e plantas para decoração) e um assunto de interesse um pouco mais específico (vida saudável). Isso dá a ela um campo bastante fértil (sem trocadilhos) para novas pesquisas. Ana sempre tem alguma coisa nova a dizer, uma descoberta para compartilhar, o que mantém seus leitores sempre interessados.

O que está errado:

Ter que lidar com inúmeros meios faz com que Ana gaste muito tempo planejando seu conteúdo. Isso também pulveriza sua audiência em diferentes canais, gerando uma espécie de atrito entre as formas. Algumas vezes os textos para o Instagram são longos demais, os posts de blog são curtos demais e o conteúdo da newsletter apenas repete o que já fora dito nas duas outras mídias.


Corrigindo o conteúdo de Ana e suas plantas

No cenário ideal, Ana mantém o apelo visual do Instagram, afinal, o seu tema é extremamente bem-vindo lá, e o seu conteúdo escrito migra integralmente para a newsletter.

Com regularidade semanal, os leitores desenvolvem o habito de ler por email suas dicas e descobertas. O conteúdo redacional de Ana encontra o tamanho e a velocidade certa. Suas pautas são desenvolvidas ao longo da semana e Ana usa uma ferramenta para agendar o envio, tendo sempre uma semana pronta. Isso lhe confere tempo para cuidar de sua rotina e permite que suas pesquisas sejam mais aprofundadas.


Dessa forma, Ana consegue atuar em dois meios e colher o melhor deles. No Instagram ela conquista novos leitores com fotos e textos curtos, na newsletter ela amplia sua autoridade para um público específico, reduzido e extremamente fiel. Ela pode ainda usar o apelo visual para divulgar seus cursos, parcerias com floriculturas ou com outros criadores do mesmo nicho, sem comprometer a autonomia de seus textos via newsletter.

Este formato permite que tanto autoridade, conhecimento e interesse sejam reunidos em conflitos.


Criando uma Árvore de Interesses


Para isso uso a ferramenta Transno, um site com acesso gratuito a um tipo bem simples de organograma. Abaixo um esquema criado para um escritor de textos críticos sobre literatura e cinema:





Neste exemplo o autor já possui uma carreira literária bem sólida, essa é sua autoridade. O seu conhecimento se aplica ao mercado editorial, marketing e dicas de processo criativo. Seu interesse é cinema, cultura pop, autores e poesia audiovisual.


Depois dessa organização chegamos ao seguinte esquema criativo:





Esses são temas para a pauta inicial do blog. O trabalho foi feito ao longo de uma consultoria de 4 meses. Ao final do processo o autor já tinha boa parte dos textos prontos. Bastou formalizar o blog, agendar as postagens e continuar o processo para os meses seguintes, tendo sempre uma pauta pronta como vantagem. Sem atropelos, estratégias furadas ou gasto inútil de energia.



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