Quais as diferenças entre escritores, redatores e copywriters?


Uma das principais dúvidas que encontro durante as consultorias e workshops que produzo é em relação aos tipos de de escritores(as) dentro do mercado digital. Todo tipo de escrita é igual?


Se por um lado qualquer um pode se proclamar escritor, por outro há muita dúvida sobre se qualquer tipo de trabalho com a palavras digital pode ser considerado escrita profissional.


Produzir conteúdo para redes sociais é escrever de verdade? Blogs, sites e newsletters são formas válidas de escrita? Para ser um escritor é preciso seguir um protocolo?


Responder (mesmo que parcialmente) a essas perguntas irá lhe ajudar a compreender o valor de seu trabalho — seja você um escritor tradicional, um blogueiro ou copywriter.


É bom lembrar que quando o assunto é escrita as classificações são efêmeras. A ideia não é limitar, mas larear as ideias para quem está começando e pretende seguir um ou outro caminho.


Escritor


É aquele que escreve. Embora isso pareça óbvio, em termos de conteúdo digital um escritor não é mais definido por livros impressos no papel. O que aprendi ao longo dos anos trabalhando na área é que existem muitos (muitos) autores publicados com pompa e circunstância que não conseguem atingir o público, enquanto autores digitais estão fazendo um ótimo trabalho com seus leitores.


Plataformas como Wattpad, Sweek, Amazon KDP ou mesmo o Medium podem servir como ótimos veículos para romances, contos, obras críticas ou não-ficção. O problema não é a falta de veículos, mas a falta de forma e consistência.


O escritor que publica digitalmente muitas vezes não oferece um trabalho coerente, muito por conta da aparente facilidade em publicar. Publicar pode ser fácil, oferecer um conteúdo relevante e sólido são outros quinhentos.


De um modo geral podemos dizer que sim, escritor é quem escreve. Tenho um blog, sou escritor? Sim. Publico meus textos no Wattpad, sou escritor? Sim. Trabalho como freelancer, sou escritor? Sim. Sim. Sim. O conceito de escritor tornou-se muito amplo, mas isso não diminui a importância dos trabalhadores da palavra.


O que define hoje o termo escritor é o nível de comprometimento e qualidade e não o meio onde o texto é criado.


Exemplos:


  • Andy Weir publicou em 2011 o livro Perdido em Marte através da Amazon KDP, serviço de publicação independente de e-books. O livro se tornou fenômeno de vendas e virou filme.

  • O autor gaúcho Daniel Galera compartilha contos, ensaios e outros textos numa newsletter literária periódica chamada Dentes Guardados.

  • A Ceci está publicando periodicamente os capítulos de um livro feito no Medium (leia aqui).

  • O poeta Zack Magiezi vincula seu trabalho de forte apelo visual no Instagram.


Redator


É aquele que redige. A definição tradicional ajuda a entender um ponto importante:


“Aquele que tem a seu cargo uma seção em jornal ou em qualquer outra publicação periódica.


A origem da expressão é do meio jornalístico, mas o próprio conceito de jornalismo foi esticado para além das redações tradicionais. Hoje um redator é alguém que escreve de modo periódico — não importa se o periódico é físico ou digital. Um blogueiro pode ser considerado um redator? De um modo geral sim, isso dependerá do comprometimento e da solidez do material.


Se você abriu um blog em 2016 e publicou uma resenha de Harry Potter e nunca mais voltou, você não é um redator de fato. Mas se você oferece material atualizado e com um padrão de estilo e qualidade constantes, você possui uma mini redação no seu PC e seu trabalho merece ser valorizado.


A escrita moderna é essencialmente atomizada — você depende exclusivamente de você mesmo para se fazer escritor ou não. É totalmente plausível que uma pessoa escreva, corrija, edite, publique, divulgue e venda o seu trabalho escrito (seja livro, site, blog). Dá trabalho, mas é possível.


Embora possa escrever sob demanda, o redator possui certa autonomia sobre o texto e alguma liberdade criativa. Seu trabalho expressa uma opinião que pode ser vinculada a outro veículo, ou reforçar sua visão de mundo.


Você pode redigir textos de opinião para sites de diversos temas, jornais, revistas (digitais, físicos ou ambos). Pode escolher um tema e se dedicar a ele de modo solo (eis o meu caso), ou quem sabe fazer parceria com outros redatores para criar conteúdo de maneira sólida (as publicações do Medium são um exemplo).


Exemplos:


  • A Revista Subjetiva é um exemplo de canal misto de redatores sobre diversos assuntos. Cada um possui sua autonomia criativa, mas todos atuam dentro da pauta da revista.

  • A Laura Pires possui um excelente conteúdo redacional sobre comportamento e relacionamentos.

  • Eu mesmo já atuei como redator no site B9.


Copywriter


É aquele que escreve para vender algo. Geralmente produz conteúdo para empresas que buscam através do marketing digital atrair novos clientes. Normalmente não assina o texto e trabalha sempre dentro de uma pauta específica.


Aqui é importante estabelecer um comentário: muitos escritores (especialmente os novatos) não sabem diferenciar entre redação e copy. Acabam criando textos de redação como quem tenta vender alguma coisa ou peças de copy como se fossem textos de opinião.


O copy quase nunca expressa uma opinião pessoal. Produzo bastante conteúdo nesse formato e não me lembro da última vez em que escrevi algo do tipo “eu acho que”. Do mesmo modo que o copy não pode ser rígido a ponto de afastar o leitor.


Considero o copywriting o modelo de escrita mais complicado de todos, principalmente porque está cheio de técnicas, manuais de SEO, dicas superficiais e uma série de patifarias criativas que não colaboram para uma escrita objetiva e transparente.


O copy está em tudo, principalmente nos blogs das empresas, nas redes sociais ou e-books. Certamente é um terreno atraente para quem precisa fazer uma grana, mas não é um trabalho simples. Embora a função do copy seja vender, você não pode dizer “compre esse produto” logo de cara, e sim levar o leitor a tomar essa decisão por si mesmo.


A minha bronca com o copy é que muitas vezes ele não passa de enrolação — fazer um bom copy é para os fortes. São cada vez mais raros os textos publicitários com informações relevantes e linguagem elegante. A prática exige ainda amplos conhecimentos em marketing digital e uso de ferramentas como plataformas de blogs, editores de texto, buscadores de palavras-chave e afins.


Exemplos:


A maioria dos blogs e páginas de conteúdos de empresas e instituições são copy. Selecione suas marcas favoritas e dê uma olhada em como ela se relaciona através de textos.


Conteudista


A definição mais acertada de conteudista diz que se trata de uma “pessoa que tem a seu cargo o conteúdo editorial técnico de uma obra.”


Em termos atuais o conteudista pode ser responsável pelo conteúdo de um ou mais sites/blogs/redes sociais. É alguém que pensa mais no todo do que nas partes, articulando o material escrito para que ele faça sentido num contexto maior.


Esse é um terreno amplo e nebuloso. Redatores produzem conteúdo, assim como copywriters e escritores, mas o conteudista é alguém que trabalha num projeto mais “fechado”, como conteúdos institucionais, para cursos, escolas, museus, grupos de estudo e afins.


O conteudista talvez esteja mais próximo da escrita técnica, muito comum em plataformas como sites de museus, empresas ou instituições governamentais. O trabalho de escrita do conteudista serve para alinhavar várias visões e opiniões que de outro modo não fariam tanto sentido. Muitas vezes é um trabalho invisível e que demanda conhecimento avançado sobre um assunto.


Noutros casos, o conteudista é alguém que de maneira objetiva seleciona um conteúdo dentro de várias possibilidades. Um curador. Esse já é um ramo mais pessoal e que dialoga fortemente com a linguagem das redes sociais.


Exemplos:


  • O perfil Bookster no Instagram, criado por Pedro Pacífico, oferece resenhas e desafios literários. Aqui o trabalho de Pedro não é de apenas ler os livros, mas de selecioná-los dentro de uma temática, oferecendo aos leitores diversos panoramas críticos.

  • A newsletter Interfaces é um apanhado de tudo o que acontece no mundo da tecnologia. Aqui temos um exemplo de redação combinada a uma pesquisa apurada por links informativos dentro de uma linha editorial.

  • Os inúmeros Youtubers educacionais são exemplo de pesquisa e gestão de conteúdo específico.


Tem dúvidas sobre o assunto? Deixe suas perguntas nos comentários ou mande um alô por email.

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